Este é um excelente vídeo sobre a lacuna que existe entre a forma de ensinar dos professores e a forma de aprender dos alunos. O contexto de ensino e aprendizagem deve mudar e basear-se mais na flexibilidade, nas necessidades e responsabilidade de cada um.
Claro que estou a pensar nas potencialidades das novas tecnologias e nos ambientes de aprendizagem mediados por computador...
Mas será o e-learning a solução para todos os males da educação?
30 de dezembro de 2007
Crise no contexto e na forma de ensinar e de aprender?
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JLS
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12/30/2007
26 de dezembro de 2007
As metas de um curso online
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JLS
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12/26/2007
Dificuldades com as novas tecnologias podem gerar stress
Muitos dos alunos que frequentam cursos mediados por computador, não dominam desde o início, as novas ferramentas tecnológicas que são necessárias para acompanhar o seguimento do curso, por essa razão, surgem alguns contratempos stress e insatisfação. No entanto, com decorrer do curso, essas dificuldades iniciais desaparecem. Fiquei com a percepção que os problemas com as tecnologias são ultrapassados progressivamente e para isso contribuiu as ajudas dos colegas e também dos professores, que procuraram auxiliar os alunos a sentirem-se mais confortáveis com a tecnologia que está a ser usada. Assim, quando não existem problemas relacionados com as tecnologias, as pessoas sentem-se satisfeitas consigo próprias, com as suas aprendizagens e também satisfeitas com o curso:
“Quando me inscrevi foi para aprender e uma das coisas que sinto é estar mais à vontade com estas novas tecnologias. O conhecimento é sempre importante e ajuda-nos a crescer se não for logo é a longo prazo. Utilizamos e reutilizamos o conhecimento.”
De salientar, que falhas das tecnologias vão acontecer sempre, mesmo aos mais experimentados em alguns casos depende mais da máquina do que do indivíduo. No entanto, ao longo de um curso online verifica-se que os alunos se vão sentindo mais competentes ao nível das tecnologias, o que por si significa uma enorme satisfação pessoal.
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JLS
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12/26/2007
O desempenho dos professores pode também gerar insatisfação
Um aspecto causador de stress e insatisfação e que envolve directamente os professores é a sua falta de feedback e, em casos mais graves, “a ausência total dos professores…”. A presença de ensino e social dos professores são factores importantes para a satisfação dos alunos em cursos online, um bom tutor/professor online deve motivar os seus alunos, tentar compreender as suas dificuldades e ajudá-los a atingir as metas de aprendizagem.
É de extrema importância a comunicação oportuna e em tempo útil e, sobretudo o estilo, que deve ser amigável e informal entre o professor e os alunos. Na bibliografia é extensamente referido que o estilo das mensagens trocadas entre os alunos e com os professores de um curso online é um factor determinante. A este propósito, seria muito interessante averiguar a que se deve o receio de ser mais informal com os professores (será o reflexo do estilo imprimido por cada professor?)
Por outro lado, os alunos relacionam a sua satisfação com o professor, com a maneira como este se relaciona com eles, em termos de disponibilização de materiais, orientação nas tarefas e feedback a questões colocadas. A presença de ensino (e social) do professor sentida pelos alunos é um aspecto muito importante para a aprendizagem efectiva e para a satisfação geral sentida pelos alunos.
No entanto, o desempenho dos professores pode sempre melhorar. Já foi extensamente referido qual o papel do professor online, nas diferentes vertentes e também é conhecida a perspectiva dos alunos sobre o que é um “professor online ideal”, acredito que os professores responsáveis conhecem os pressupostos teóricos que regem as funções de um professor/tutor online, será que vai uma distância muito grande entre a teoria e a sua aplicação na prática? O feedback atempado, um melhor design e a organização da cadeira, o incentivo de um estilo mais informal e amigável e a motivação constante no alcance de metas pedagógicas, são alguns pontos a ter em conta.
De salientar ainda a preponderância do papel do professor online e da sua influência positiva ou negativa que pode ter no ambiente de aprendizagem. Tendo em conta os pressupostos do construtivismo, em que os alunos são responsáveis pela sua aprendizagem e construção de conhecimento significativo, a orientação do professor é fundamental, porque se ficar aquém das expectativas, pode prejudicar, em termos de menor satisfação, todos os intervenientes no processo de aprendizagem, como ficou visível nesta investigação. Tal como já tinha sido abordado, a presença social de alunos e professores está relacionada entre si (Swan & Shih, 2005) além disso, estas autoras consideram que a presença social dos professores conta duas vezes mais do que a dos alunos na aprendizagem observada. Nos cursos analisados aqui, cada professor tem uma presença (de ensino e social) distinta. Há mostras de grande empenho e dedicação e também casos de menor zelo, que como se pode verificar trouxeram alguma insatisfação.
Swan, K. & Shih, L. F. (2005). On the nature and development of social presence in online course discussions. JALN, 9(3). Acedido em 17.03.2006: http://www.kent.edu/rcet/Publications/upload/socpresJALN.pdf
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12/26/2007
A falta de tempo como gerador de stress em cursos online
Um aspecto sensível que é apontado por quase todos que frequentam cursos online, como gerador de stress é a falta de tempo, que resulta das muitas tarefas a realizar. Um curso online não poder ser comparado com um grupo de discussão sobre um tema de lazer, é necessário muito empenho, dedicação e mesmo sacrifícios, por isso os estudantes devem fizer um esforço e organizaram-se de modo a atingirem as suas metas. Mas é notório que o excesso de tarefas a realizar, os prazos de entrega de trabalhos apertados e coincidentes em diferentes cadeiras, dificultaram em alguns momentos o relacionamento social entre os elementos dos grupos e causaram, por vezes, algum desalento e desilusão pessoal.
Assim, falta de tempo está relacionada quer com os conteúdos programáticos que devem ser exigentes, ao nível da pós-graduação ou mestrado, no que respeita à quantidade e à qualidade/profundidade; quer com aspectos pessoais (vida profissional e familiar, etc.). Para qualquer aluno a sensação que alcançou níveis de performance elevadas à custa de muito empenho pessoal pode ser também, posteriormente, um motivo de satisfação. Sentir que deu tudo de si, para atingir aquelas metas tão ambiciosas, vai significar no final, uma enorme satisfação consigo próprio e também com o curso. Isto é, a satisfação relativamente a um curso exigente só se sente verdadeiramente no final, porque o enorme esforço foi recompensado. Isto significa que controlar a falta de tempo também é difícil, mais não seja pelo facto, de muitos terem uma dificuldade crónica de gestão de tempo (mesmo que seja alargado o prazo, o tempo vai faltar sempre). No entanto penso que o excesso de conteúdos programáticos possam ocorrer em alguns casos, por deficiente planeamento da cadeira ou coordenação das cadeiras entre si.
“ [os factores que geram mais insatisfação são] a falta de tempo; o ritmo demasiado intenso em algumas fases; não conseguir acompanhar de forma eficaz algumas discussões em grande grupo.”
“Houve muitas situações que me geraram stress, mas quando a minha caixa de correio recebeu 102 mensagens para ler das participações no curso, senti-me completamente perdido.”
“A gestão do tempo foi o mais difícil para mim... acho que foi mesmo o tempo... A pouca tranquilidade... o ritmo acelerado.”
A falta de tempo é um aspecto, que entre outros efeitos negativos, interfere nas interacções sociais e, consequentemente diminui a disponibilidade para cada aluno investir na sua presença social e para tentar descobrir melhor os colegas.
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12/26/2007
O relacionamento com colegas e amizades online
Nem sempre fácil criar relações de amizade em ambientes virtuais de aprendizagem. Porém, exceptuando poucos alunos, a maioria consegue estabelecer relações com colegas, que vão para além do trabalho. Alguns alunos, revelam um grande afecto e confiança num número restrito de colegas:
“sim ...de um número reduzido de pessoas ...acho que sim... as pessoas com quem realmente comunico ...sinto que criei um sentimento de confiança ... disponibilidade... abertura ... uma certa tranquilidade talvez.”
As relações online dependem, em grande parte, da personalidade e dos estilos de cada pessoa. A amizade pode crescer para além da turma, se os envolvidos apostarem na relação e em muitos casos podem ficar surpresos com a profundidade da relação estabelecida:
“Talvez seja mais fácil fazer amizades numa turma presencial. Já quanto há intensidade e profundidade das amizades, penso que isso é possível nos dois tipos de turma e estará muito dependente das pessoas e dos contextos envolvidos.”
Vimos que é possível criar amizades online, mas o intervalo de tempo requerido para que essas relações mais profundas ocorram é maior. Na verdade podem ocorrer equívocos nas relações virtuais. Podem verificar-se problemas de interacção devidos às primeiras impressões, porém, a maior parte das vezes os maus entendimentos os ultrapassados.
É sobretudo através do apoio mútuo que se desenvolve o afecto entre colegas e com certeza contribui para um sentimento de alívio, realização e de satisfação. A grande maioria dos alunos admite apreciar muito o apoio que recebe dos colegas:
“Certamente que sim. O apoio que sentimos dos outros é sempre muito importante, porque representa uma manifestação de carinho. E quer o reconheçamos ou não, o carinho é um sentimento que nenhum de nós dispensa.”
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12/26/2007
O humor em cursos mediados por computador
O humor é um exemplo de expressão social, indicadora de efectividade, tal como considera Rourke & Anderson 2000 e Rourke et al. (2004). Com o humor pretende-se provocar, bajular, ironizar, e utilizar diminutivos ou aumentativos para contrastar o discurso (aspecto muito presente no discurso dos portugueses). Porém, o uso de humor é muito sensível, pode aproximar as pessoas mas também pode ser mal interpretado:
“Procuro comunicar como o faço habitualmente, com humor, demonstrando disponibilidade para ajudar e cooperar, sendo franco, evitando conflitos e procurando contribuir para que as coisas corram bem. Sobretudo penso naquilo que os outros poderão interpretar da minha mensagem. Procuro evitar mal-entendidos, tento ser o mais explícito possível e adoptar um tom cooperante e construtivo. Estas preocupações são ainda maiores quando utilizo o humor, que é sempre dado a ambiguidades.”
No entanto o humor também é uma qualidade muito apreciada:
“A honestidade intelectual, a solidariedade, a cumplicidade sadia na construção comum do saber, o humor, a amizade desinteressada são qualidades que aprecio nesta comunidade”
“Aquilo que mais me cativa nas pessoas (virtuais ou não): humor, criatividade, escrita emotiva”
“(…) também não me posso esquecer dos momentos de descontracção e informalidade dos espaços sociais criados em todas as disciplinas, em que com algum humor vamos tendo um conhecimento das características e dos hobbies dos colegas e professores.”
“Em relação às boas experiências, tive muitas, como sejam, os momentos de humor, as mensagens de incentivo, as palavras amigas, os reforços positivos tanto da parte dos professores como dos colegas.”
Como se pode perceber, as pessoas reagem de maneira diferente ao humor. O humor pode ser indispensável na comunicação interpessoal, porque desanuvia e facilita a exposição de assuntos mais complicados ou pelo contrário melindra algumas pessoas.
Rourke, L., Anderson, T., Garrison, R., Archer, W. (2004). Assessing Social Presence in Asynchronous Text-based, Computer Conferencing. University of Alberta
Acedido em 14.01.2006: http://communitiesofinquiry.com/documents/SocialPresence_Final.pdf
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12/26/2007
Cada participante em cursos online, não é só mais um
Pode concluir-se que a maior parte dos alunos se empenha na criação da sua presença social. Essa projecção individual é em geral sincera, isto é, os alunos dão-se a conhecer da forma como são na realidade. Os estudantes consideram que os colegas os podem reconhecer e não passam despercebidos para eles. Mas, quem utiliza um estilo de comunicação mais informal, tem uma maior probabilidade de ser reconhecido pelos colegas. A comunicação mais afectuosa e espontânea, ajuda na desinibição de todos e permite o desvendar da personalidade da pessoa que está do outro lado e isso é em geral, mais apreciado. A maioria dos estudantes cumprimenta, saúda, despede-se cordialmente, elogia, incentiva a discussão construtiva e expressa gratidão pelos colegas, quando gosta das suas mensagens e admira a sua postura. Esta forma de estar permite a coesão e o bem-estar numa comunidade de aprendizagem. Não é por acaso que a maioria dos alunos já se sentiu muito contente com as mensagens dos outros.
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12/26/2007
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